quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O Amor que Nasce já Perece


Não busques na maré o que é do chão, 

Nem peças ao carvalho o eterno verde; 

Pois no bater de um jovem coração, 

O que se ganha, logo ali se perde.


Como a espuma branca que se desfaz 

Nas pedras cinzas de uma costa fria,

 O amor nasce trazendo a sua paz, 

Mas já carrega a própria agonia.


Vi os amantes sob a luz da lua, 

Tecendo juras que o vento levou, 

Enquanto o tempo, em sua marcha nua,

As sementes do fim já semeou. 

Pois toda chama que o desejo aquece, 

No instante em que brilha, já perece.

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