Não busques na maré o que é do chão,
Nem peças ao carvalho o eterno verde;
Pois no bater de um jovem coração,
O que se ganha, logo ali se perde.
Como a espuma branca que se desfaz
Nas pedras cinzas de uma costa fria,
O amor nasce trazendo a sua paz,
Mas já carrega a própria agonia.
Vi os amantes sob a luz da lua,
Tecendo juras que o vento levou,
Enquanto o tempo, em sua marcha nua,
As sementes do fim já semeou.
Pois toda chama que o desejo aquece,
No instante em que brilha, já perece.
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