sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Sal da Terra e a Noite Eterna

Negro sou, como a terra que guarda o segredo do trigo,

como a raiz que busca o centro do mundo sem pedir perdão.

Sou a noite que descansa sobre as cordilheiras,

a lousa onde o destino escreve com dedos de fogo.

Não venho de uma cor de passagem,

venho da geologia profunda, do basalto e do carvão ardente.

Minha pele é o mapa de uma resistência antiga,

um território onde o sol decidiu fazer sua morada permanente.

Negro ficarei!

Como o aço se mantém fiel à sua têmpera,

como o mar é fiel à sua espuma amarga e vasta.

Não há vento que apague esta tinta de milênios,

não há inverno que desbote o ébano da minha história.

Sou o eco de tambores que não cansam,

a matéria-prima da vida, o silêncio que precede o canto.

Olho o mundo com olhos de obsidiana

e sinto o pulso do universo batendo no meu sangue.

Amo este brilho escuro,

esta arquitetura de sombras que sustenta a luz.

Pois se o universo é negro em sua imensidão sagrada,

eu sou, nesta terra, um pedaço desse infinito que caminha.

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