segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Sala


O amor
é uma sala fechada.

Quatro paredes
cor neutra,
ligeiramente gastas
nos cantos
onde o olhar insiste.

Não há janelas suficientes.
A luz entra
por uma fresta técnica,
sem intenção estética.

Nenhum rio atravessa
o centro do chão.
Nada corre.
Nada cintila.

Penso no Rio
apenas para excluí-lo:
nenhuma curva generosa,
nenhuma água
para distrair o cálculo.

Aqui,
o ar é mensurável.
Circula mal,
mas circula.

O amor mantém
uma ordem funcional:
cadeiras no lugar,
silêncio utilizável,
um relógio
que não se emociona.

Permanece-se.
Não por encanto,
mas porque sair
exigiria mais esforço
do que ficar.

E isso,
estranhamente,
também é uma forma
de vínculo.

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