segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cor


Não era ciência —
era pressentimento.

A cor nascia sozinha,
animal sem nome,
crendo em si
como faca acredita no corte.

Diziam os sábios:
mede, explica.

Mas o pintor escutava
o grito azul
antes da forma.

A cor não ilustrava:
mandava.
Tinha corpo,
tinha febre,
tinha destino.

A luz batia no olho
como sino noturno,
e o mundo
se tornava visível
por ferida.

A pintura —
arte sem argumento —
era puro impacto:
ver
antes de entender.

E assim,
no choque do vermelho,
no luto do verde,
o olhar aprendia
que a verdade
não pensa:

arde.

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