Não era ciência —
era pressentimento.
A cor nascia sozinha,
animal sem nome,
crendo em si
como faca acredita no corte.
Diziam os sábios:
mede, explica.
Mas o pintor escutava
o grito azul
antes da forma.
A cor não ilustrava:
mandava.
Tinha corpo,
tinha febre,
tinha destino.
A luz batia no olho
como sino noturno,
e o mundo
se tornava visível
por ferida.
A pintura —
arte sem argumento —
era puro impacto:
ver
antes de entender.
E assim,
no choque do vermelho,
no luto do verde,
o olhar aprendia
que a verdade
não pensa:
arde.
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