Você tem sido
uma verdadeira bênção para mim —
digo
como quem toca
água escura.
Hoje entendo
o que antes ardia mudo:
toda bênção ignorada
se torna
uma maldição.
A lua sabe disso.
Ela oferece o brilho
e cobra o esquecimento.
Teu gesto —
pão aberto na mesa —
se não acolhido,
vira faca.
Há graças
que pedem cuidado,
como cavalos noturnos:
ou se monta com respeito
ou se é arrastado.
Agora sei:
o dom não aceito
apodrece na alma
e canta
com voz de sombra.
Por isso te nomeio,
por isso te recebo.
Para que a bênção
não me persiga
como culpa,
mas me acompanhe
como canto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário