Jorge escreve
como quem abre feira
no meio da frase:
cheiro de dendê,
riso, pecado
e redenção.
Seus livros
são procissão e farra,
santo e malandro
andando de braço dado
pela mesma rua.
Ali,
a palavra não pede licença:
entra, senta,
come, ama
e fica.
Mulher em Jorge Amado
não é enfeite:
é terremoto manso,
é chão que decide
onde o homem cai.
E o povo —
ah, o povo! —
não é paisagem:
é dono da história,
é voz que manda
na página.
Se há pecado,
há riso.
Se há dor,
há canto.
Porque Jorge sabia:
o Brasil se entende
melhor contado
do que explicado.
E quem lê
sai mais humano,
meio sujo de vida,
inteiro de alegria.
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