segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Cântico para um Rei Ausente


Ele se empoleira na espuma
de esculpidas, polidas
flores —

calmo,
alto,
como quem escuta
vozes anteriores ao mundo.

A luz o envolve
não como coroa,
mas como lembrança.

O vento sabe seu nome
e o diz
em língua antiga.

O rei é morto.

Mas seu sono
move as raízes do vale,
e seu silêncio
governa as estrelas.

Nada termina:
a queda
é apenas
outro rito.

Na espuma do tempo
    as flores permanecem,
e o espírito
aprende a reinar
sem trono.

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