segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Contemplação: Noturno


Não morreste.

Deslocaste-te

para o sonho.

Vens

feita de ar atento,

nome sem corpo,

luz que não fica.

Falo contigo

e minha voz

atravessa-te

sem pouso.

Te amo

— dizes não,

com um silêncio

perfeito.

Teu recuo

é mais fundo

que

 

a morte.

Então me fecho

na noite

onde as palavras

ainda aceitam

meus dedos.

Escrevo

para não tocar-te.


Escrevo

para que fiques

longe


e viva.

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