O amor
é um urso educado
que acredita no mel.
Aproxima-se
com método,
fareja a doçura,
confia no dourado.
Não vê
o rigor das abelhas,
o pacto invisível
entre flor e ferida.
Enfia o focinho.
O mundo responde
com precisão alada.
Ele recua,
nariz em fogo,
olhos úmidos
— não de coragem,
mas de surpresa.
Chora
não por dor,
mas porque a doçura
exige defesa.
O amor aprende assim:
nem tudo que brilha
foi feito
para consolar.
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