segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Dragão e o Quinhão do Duende


Houve uma época em que, nos picos gelados das Montanhas do Norte, vivia um dragão chamado Ignis. Ele não era o maior de sua espécie, nem o mais feroz, mas era, sem dúvida, o mais ganancioso. Ignis não guardava ouro por instinto; ele o guardava por obsessão. Ele conhecia o peso, o brilho e o tilintar de cada peça em seu vasto monte. Certa manhã, enquanto Ignis contava pela milésima vez suas taças de prata, um pequeno vulto surgiu na entrada da caverna. Era Grimnack, um duende de dedos longos e olhar astuto.

— "Poderoso Ignis," disse o duende, curvando-se com uma ironia que o dragão era estúpido demais para notar. "Venho oferecer meus serviços. Sei que vossa coleção é vasta, mas falta-lhe a Moeda do Éter, uma relíquia que se multiplica a cada lua cheia."

O dragão, cujas pupilas se dilataram como fendas negras, rugiu de desejo. — "Traga-me essa moeda, criatura nanica, e eu permitirei que saia vivo da minha montanha!"

Grimnack sorriu. Ele propôs um contrato: ele buscaria a moeda, mas precisaria de "livre acesso" ao tesouro para "preparar o terreno mágico" para o recebimento da relíquia. Ignis, cego pela promessa de ouro infinito, assinou o pergaminho com uma gota de seu sangue fervente.

Durante sete dias, o duende trabalhou nas profundezas da caverna. Ele não trazia nada; em vez disso, ele martelava e sussurrava. No oitavo dia, quando Ignis acordou de um cochilo, sentiu algo estranho. O seu leito de moedas parecia... mais leve.

Ele olhou ao redor e soltou um grito que abalou as fundações da terra. O tesouro havia sumido. Não apenas o ouro, mas as joias, as armaduras rúnicas e até as colheres de prata descascadas. Em seu lugar, havia apenas uma pequena moeda de latão com um bilhete:

"Pelo aluguel das minhas ferramentas e pela taxa de consultoria, tomo o restante como pagamento justo. Assinado: Grimnack."

O duende não usara magia de transporte; ele usara o próprio contrato. No mundo dos duendes, a posse é uma questão de interpretação, e Ignis acabara de entregar os direitos de guarda de tudo o que possuía.

O dragão, agora pobre e humilhado, voou até a vila mais próxima, pretendendo queimar tudo em sua fúria. No entanto, antes que pudesse soltar a primeira labareda, encontrou um velho bruxo sentado calmamente em um rochedo, fumando um cachimbo que soltava fumaça em forma de fênix.

— "Ele me roubou!" urrou o dragão. "Aquele rato de orelhas pontudas levou o que era meu!"

O bruxo tirou o cachimbo da boca e olhou para a criatura com uma mistura de pena e severidade.

— "Você buscou o lucro fácil com quem inventou o conceito de juros, Ignis," disse o mago. "O duende não roubou; ele apenas aplicou as cláusulas que você não leu. A magia deles é tecida em leis e metais que nós, humanos e feras, mal compreendemos."

O bruxo então bateu o cajado no chão, criando uma barreira que impediu o avanço do dragão.

— "Volte para sua caverna vazia e aprenda: jamais se deve mexer com os duendes. Eles não esquecem uma dívida, não perdoam um deslize e, no final, eles sempre — sempre — são os donos da chave do cofre."

Ignis voltou para as montanhas, passando o resto de seus dias contando pedras comuns, pois descobriu, da maneira mais amarga, que contra a astúcia de um duende, nem o fogo mais quente de um dragão tem qualquer poder.

Nenhum comentário:

Postar um comentário