O peixe repousa leve sobre o manto do profeta,
Em silêncio de escamas, mistério e sal.
Depois, no escuro ventre, a viagem secreta,
Na ânsia funda do abraço abissal.
E o mar é ardente, de uma fúria mansa,
Que queima a pele e incendeia o olhar,
Onde a alma naufraga e tudo se alcança
No fogo líquido de quem sabe amar.
Até que desponta, na imensidão do inverno,
A luz soberana que vem sustentar
O dia sem fim, o sol eterno,
Derramando ouro sobre a face do mar.
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