quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A ascender

 Profana voz, lírio de ternura,

Cantando a sede e o sol do meu sertão,

A terra seca abre o coração

Para acolher a brisa pura e dura.


Do extremo sul, onde a geada escura

Desenha o frio em branca e fria mão,

Chega o sopro gelado ao chão,

Onde a catinga o ardor inaugura.


Beija o calor o vento forasteiro,

Num abraço de paz e de mistério,

Unindo o norte e o sul no mesmo fado.


O sertanejo, em canto verdadeiro,

Vê nesse frio o dom do céu sidéreo,

E o chão árido fica abrandado.

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