Profana voz, lírio de ternura,
Cantando a sede e o sol do meu sertão,
A terra seca abre o coração
Para acolher a brisa pura e dura.
Do extremo sul, onde a geada escura
Desenha o frio em branca e fria mão,
Chega o sopro gelado ao chão,
Onde a catinga o ardor inaugura.
Beija o calor o vento forasteiro,
Num abraço de paz e de mistério,
Unindo o norte e o sul no mesmo fado.
O sertanejo, em canto verdadeiro,
Vê nesse frio o dom do céu sidéreo,
E o chão árido fica abrandado.
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