quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Rua e o Céu


Ah, quantas vezes a vida nos desata

E nos atira ao chão da madrugada!

Onde o silêncio corta como prata,

E caem sobre nós duras pedradas.

Mas eis que rompem plenos e sagrados

Os acordes de um tempo que já foi;

E corações cansados e machucados

Ouvem o pranto do que o mundo dói.

Não há no peito medo ou penitência,

Quando ressoam clarins divinos;


E os santos dançam na mesma cadência

Dos deserdados e dos peregrinos.

Que venha a noite, o vento e a desventura!

A vida é bela em sua desmedida,

Pois toda dor se abriga na doçura

Da poesia que sangra e que cicatriza a vida.

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