Ah, quantas vezes a vida nos desata
E nos atira ao chão da madrugada!
Onde o silêncio corta como prata,
E caem sobre nós duras pedradas.
Mas eis que rompem plenos e sagrados
Os acordes de um tempo que já foi;
E corações cansados e machucados
Ouvem o pranto do que o mundo dói.
Não há no peito medo ou penitência,
Quando ressoam clarins divinos;
E os santos dançam na mesma cadência
Dos deserdados e dos peregrinos.
Que venha a noite, o vento e a desventura!
A vida é bela em sua desmedida,
Pois toda dor se abriga na doçura
Da poesia que sangra e que cicatriza a vida.
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