Na podridão da lembrança que corrói,
Dos depoimentos tristes que o outro diz,
Rasga-se a carne em brasa de um infeliz
Que a própria sombra e o passado dói.
Nas palavras vãs, o verme que destrói
Cava no peito o túmulo que quis;
O eco alheio, qual espinho infeliz,
No fundo escuro da alma nos herói.
Ó triste resto de o que a vida foi!
O verbo alheio é o gume que a dor expõe,
No tribunal mudo onde o tempo dói.
E a mente, presa aos trapos que constrói,
Na fria cinza do que a boca expõe,
Bebe o fel negro que a memória rói!
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