quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Na podridão da lembrança

 Na podridão da lembrança que corrói,

Dos depoimentos tristes que o outro diz,

Rasga-se a carne em brasa de um infeliz

Que a própria sombra e o passado dói.

Nas palavras vãs, o verme que destrói

Cava no peito o túmulo que quis;

O eco alheio, qual espinho infeliz,

No fundo escuro da alma nos herói.


Ó triste resto de o que a vida foi!

O verbo alheio é o gume que a dor expõe,

No tribunal mudo onde o tempo dói.

E a mente, presa aos trapos que constrói,

Na fria cinza do que a boca expõe,

Bebe o fel negro que a memória rói!

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