quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Soneto da Chuva


A chuva sagrada desaba, violenta e fria,

Sobre a carne seca da Paraíba cruenta,

Onde a terra, qual carcaça que o sol sustenta,

Bebe o pranto líquido que o céu envia.


Na podridão do chão que o tempo esfria,

O raio fúnebre a alma atormenta,

E o verde brota da lama que arrebenta,

No estertor mudo da agonia.


Ó sertaneja terra, que o verme corrói!

O pingo d'água é o ácido que dói,

Limpando o lodo da alma que se desfaz.


E a natureza, em seu ciclo feroz,

Faz da tormenta a medonha voz

De um Deus que fere e que desfaz a paz!

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