A chuva sagrada desaba, violenta e fria,
Sobre a carne seca da Paraíba cruenta,
Onde a terra, qual carcaça que o sol sustenta,
Bebe o pranto líquido que o céu envia.
Na podridão do chão que o tempo esfria,
O raio fúnebre a alma atormenta,
E o verde brota da lama que arrebenta,
No estertor mudo da agonia.
Ó sertaneja terra, que o verme corrói!
O pingo d'água é o ácido que dói,
Limpando o lodo da alma que se desfaz.
E a natureza, em seu ciclo feroz,
Faz da tormenta a medonha voz
De um Deus que fere e que desfaz a paz!
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