A profana voz, lírio de ternura,
Canta no agreste a pedra e o sol ardente.
E no sertão, de luz tão refulgente,
A vida brota, casta e dura.
Eis que a catinga, em sua alma pura,
Recebe o vento sul, suavemente,
Trazendo um frio, doce e diferente,
Que alivia a alma e a açucena apura.
É o beijo do Minuano, estrangeiro,
Que o sol poente, em seu tom alaranjado,
Abraça a terra, num rito altaneiro.
O sertanejo, em seu canto sagrado,
Vê no frio do sul um mensageiro,
De um tempo novo, enfim, chegado.
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