quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A alma

 Caiu... Mas aonde...

Caiu a estrela, a estrela branca

que assombra o mar inteiro.

Veja: é o cantar do galo

verdadeiro que se debruça

por entre os braços de gentil criança

morta por uma bomba caída em Dresdein.

Ouçam só, o sino das igrejas bombardeadas,

são as vozes dos fantasmas

que passam de um lado para o outro

na rua mais movimentada de São Paulo.

Quanto tédio, dizem os especialistas

em murais, e lá vão os artistas sociais

mendigar o dinheiro dos novos-ricos.

A estrela tombada no chão, dizem,

era a minha alma constelada de farrapos.

E eis o próprio poeta miserável

incendiado o próprio corpo por um pedaço de

pão.

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