O jovem dorme na cama, a alma em paz,
Belo e tranquilo na noite que avança.
Ao pé do leito, a sombra viva traz
Uma criatura de trágica esperança.
Formosa sucubu, de olhar feiticeiro,
Roga um só beijo com voz de veludo;
Mas ele resiste com peito verdadeiro:
"A outra eu amo, e ela é meu mundo."
A sedutora sorri e a forma desmancha,
Tomando o rosto daquela que ele adora;
Na doce armadilha que a mente empanha,
Ele se entrega e o tempo evapora.
Consome o amor na ilusão mais profunda,
Até que o feitiço do sonho se quebra.
A aurora desperta a alma moribunda,
E o mundo real desaba em treva.
Não há mais leito, nem juventude, nem flor:
O homem acorda velho, curvado e sozinho,
Junto à lareira de um morto calor,
Chorando o fantasma do seu caminho.
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