Desde menino, eu sabia
que seria artista.
Não havia escolha no horizonte da Bahia,
nem espaço para dúvidas nos bolsos rasos das minhas calças.
O mundo exigia contas, ofícios e retidão,
mas a infância já conhecia as canções.
Ao longo dessas décadas de silêncios e palcos,
de obras originais ou colaborações levadas pelo vento
ele se distinguiu (uma palavra solene, de jornal)
como uma das figuras mais prolíficas e influentes
de sua geração inesgotável.
E o tempo passou pesado e leve,
como o tempo passa sobre a praça da cidade e o disco.
O menino continua a cantar o risco,
enquanto a pátria, atônita e distraída,
testemunha a presença duradoura de sua vida.
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