quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Desde menino



Desde menino, eu sabia

que seria artista.

Não havia escolha no horizonte da Bahia,

nem espaço para dúvidas nos bolsos rasos das minhas calças.

O mundo exigia contas, ofícios e retidão,

mas a infância já conhecia as canções.

Ao longo dessas décadas  de silêncios e palcos,

de obras originais ou colaborações levadas pelo vento 

ele se distinguiu (uma palavra solene, de jornal)

como uma das figuras mais prolíficas e influentes

de sua geração inesgotável.

E o tempo passou pesado e leve,

como o tempo passa sobre a praça da cidade e o disco.

O menino continua a cantar o risco,

enquanto a pátria, atônita e distraída,

testemunha a presença duradoura de sua vida.

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