Do louco ouro a trança desatada,
E os olhos verdes, fúlgidos tiranos,
Vê a branca e loura travesti os danos
Que a paixão causa na alma abrasada.
A bela morena, em ânsia declarada,
Chupa a carne com lábios soberanos;
E a loura, em gestos vagos e humanos,
Pede a pancada, em ânsia suspirada.
Mas a morena, absorta no tesouro
Do doce gozo e do hálito profundo,
Não nota a mão que o ar no espaço rasga.
E segue a boca em ânsias de ouro,
Dando à alma o melhor de todo o mundo,
Enquanto a mão em vão no vento fragua.
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