Existe para mim dois pintores que me enchem de arrepio: Reynaldo Fonseca, o Pernambucano; e, claro, Balthus, o francês. Ambas as obras dos dois parecem ser para minha opinião própria, um choque de realidade em realidade. Vejo entre eles semelhanças, e não diferenças. Cada qual criou um mundo, deduzivelmente realístico-vanguardistico. A pintura de ambos parece ser um sonho-real, uma especiel de conto, de Alice do País das Maravilhas para adultos extasiados pelo mundo sombrio que nos rodeia.Balthus, com seu misticismo escandaloso, repleto de meninas púberes, imbuídas de uma estranha força cósmica, com gatos, poltronas em cada canto e uma luz peculiar que parece infundir uma vida sedutora à pintura. Admirar Balthus é sentir-se verdadeiramente aterrorizado. Meninas tão jovens, nuas… Poder-se-ia dizer que essa estranha escolha de meninas tão jovens desperta suspeitas; por que não meninas mais velhas, por exemplo? No entanto, Balthus é um caleidoscópio de segredos. Reynaldo já transita na tensão entre os estilos acadêmico e surrealista. Suas pinturas transmitem uma sensação de antiguidade medieval, quase como se ele próprio fosse um pintor do início da Idade Média, dando continuidade à imaginação daquela época. Mas este Fonseca é completamente contemporâneo e pode levar às lágrimas os despreparados. Eis aqui dois pintores enigmáticos que me enchem de orgulho por ainda estarem pintando.
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