Do sacro leito a estátua de marfim,
Duas formas puras, de ouro e de neve,
Montam no dorso que o rigor descreve,
Em carne e sombra, de hálito marfim.
Uma é claror que a aurora traz sem fim,
Outra, a noite escura que o prazer move;
E sob ambas, o corpo que se envolve
Em dupla honra, de princípio e de fim.
A branca pele cinge o corpo alvo,
E a tez de ébano sustém o encanto,
Numa bizarra e indómita escultura.
O peito geme o transe em fogo alto,
Enquanto o pranto bebe o doce espanto,
E a nudez reina, bárbara e pura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário