sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Claro e Escuro

 Do sacro leito a estátua de marfim,

Duas formas puras, de ouro e de neve,

Montam no dorso que o rigor descreve,

Em carne e sombra, de hálito marfim.


Uma é claror que a aurora traz sem fim,

Outra, a noite escura que o prazer move;

E sob ambas, o corpo que se envolve

Em dupla honra, de princípio e de fim.


A branca pele cinge o corpo alvo,

E a tez de ébano sustém o encanto,

Numa bizarra e indómita escultura.


O peito geme o transe em fogo alto,

Enquanto o pranto bebe o doce espanto,

E a nudez reina, bárbara e pura.

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