O muro branco. O azul puro
do dia que começa a render-se.
No centro do silêncio, o galo erguese:
plena forma, clara torre,
dono absoluto do instante.
Não há pressa no seu canto,
nem medo da sombra que foge.
Ele canta porque a luz existe
e a luz, pura, nele se resume.
Ao redor, o jardim escuta.
As folhas verdes entendem a medida;
as flores, mudas, abrem-se
na certeza simples da vida.
Tudo é paz que não se diz.
O galo é o tempo que canta.
O jardim é a alma que repousa.
E o mundo, enfim, se aquieta
na graça nua de uma hora perfeita.
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