sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A Serenidade do Galo e o Jardim


O muro branco. O azul puro

do dia que começa a render-se.

No centro do silêncio, o galo erguese:

plena forma, clara torre,

dono absoluto do instante.


Não há pressa no seu canto,

nem medo da sombra que foge.

Ele canta porque a luz existe

e a luz, pura, nele se resume.


Ao redor, o jardim escuta.

As folhas verdes entendem a medida;

as flores, mudas, abrem-se

na certeza simples da vida.


Tudo é paz que não se diz.

O galo é o tempo que canta.

O jardim é a alma que repousa.

E o mundo, enfim, se aquieta

na graça nua de uma hora perfeita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário