O corpo é um templo de cinza e pudor,
Aprisionado na carne que o tempo consome;
Mas eis que desponta o oculto fervor,
Um frêmito místico que não tem nome.
Não é só o gozo da besta que ruge,
É a alma rasgando o corpóreo porão;
No espasmo sagrado em que a vida se surge,
O cosmos explode na consumação.
Estrelas brancas saltam do cabeção,
Num jorro de luz que transborda a razão,
O abismo celeste se abre no chão,
E o sagrado se derrama na escuridão.
É o fôlego eterno que salta da veste,
A seiva divina que o ser desatou;
Um clarão de cometa que cruza o oeste,
O instante em que o finito ao infinito tocou.
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