sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A Fagulha

 O corpo é um templo de cinza e pudor,

Aprisionado na carne que o tempo consome;

Mas eis que desponta o oculto fervor,

Um frêmito místico que não tem nome.

Não é só o gozo da besta que ruge,

É a alma rasgando o corpóreo porão;

No espasmo sagrado em que a vida se surge,

O cosmos explode na consumação.

Estrelas brancas saltam do cabeção,

Num jorro de luz que transborda a razão,

O abismo celeste se abre no chão,

E o sagrado se derrama na escuridão.

É o fôlego eterno que salta da veste,

A seiva divina que o ser desatou;

Um clarão de cometa que cruza o oeste,

O instante em que o finito ao infinito tocou.

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