Os anos oitenta desceram do sótão
com seus sprays de laca e promessas de altura.
Todo mundo quer cachos volumosos,
nuvens rebeldes desafiando a gravidade e o espelho,
como se o cabelo pudesse conter
o excesso de alma que a época reclama.
E a cabeça cresce, espicha, espraia-se no vento,
uma floresta emaranhada de molas e lembranças.
O espelho reflete um leão doméstico,
alguém que tenta ocupar mais espaço no mundo
sacudindo os caracóis contra o teto baixo dos dias.
Mas por dentro da juba, o pensamento continua liso,
prudente e reto, buscando o rumo de casa
enquanto os cachos armam sua revolução de mentira
na esquina de qualquer espelho moderno.
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