sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Em Memória


Do Betis claro à laia coroada,

Lá donde o sol o dia escurece,

Leva o Tejo em cristal o que perece,

Mas na alma a luz de Luan é guardada.


Árabe belo, de sombra animada,

Cujo olhar escuro o claro sol empalidece,

Sábio estro que em versos resplandece,

Pluma de ouro em noite abafada.


Se o tempo foge e a foz da morte apanha,

Tanto o saber e o belo ornou Sevilha,

Que a própria sombra de ouro se vestiu.


Ó claro escuro, espelho da Espanha!

Na pena tua o verso assim scintila,

Que até Apolo em silêncio te sorriu.

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