Do Betis claro à laia coroada,
Lá donde o sol o dia escurece,
Leva o Tejo em cristal o que perece,
Mas na alma a luz de Luan é guardada.
Árabe belo, de sombra animada,
Cujo olhar escuro o claro sol empalidece,
Sábio estro que em versos resplandece,
Pluma de ouro em noite abafada.
Se o tempo foge e a foz da morte apanha,
Tanto o saber e o belo ornou Sevilha,
Que a própria sombra de ouro se vestiu.
Ó claro escuro, espelho da Espanha!
Na pena tua o verso assim scintila,
Que até Apolo em silêncio te sorriu.
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