Sob o pálio noturno, em místico delírio,
A morena, em silêncio, o olhar sustém,
No dorso do corcel, puro martírio,
Onde a carne e o espírito não têm...
O cavalo — um espectro de alvo alvura,
Galopa em luz, em névoas de marfim,
E ela, em ânsia, em febril desventura,
Deseja o fluxo, o gozo, o clarim.
Na boca de anja, em sede de brancuras,
Quer o orvalho divino, a essência, a viga,
Daquela criatura das alturas,
Que na alma em chamas, ígnea, a mitiga.
Fluxos de névoa, em brancos espasmos,
Fluem na boca, em sutil transcendência,
Apagando os terrestres fantasmas,
Numa etérea e absoluta existência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário