Gemido que, de chofre, se derrama,
Em contração que a carne faz em fogo,
É o puro vício, o torpe e o sacro jogo
Do cu que a mão com volúpia desclama.
Abre-se o rogo em flor, em fenda e lama,
Onde a razão se perde no desmogo;
E o homem, em espasmo, num afogo,
Paga o tributo à dor que o corpo inflama.
Ó lábio de veludo, rubro e tenro,
Que na rima do assento se faz verso,
És a clausura em que me perco e adentro.
No arfar do peito, o caos deste universo,
E o gozo, enfim, num rastro de inferno,
Me deixa, ao teu prazer, escravo imerso.
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