Ó ébano vívido, noturna estátua de âmbar e de sombra!
Em tua pele, o negrume é um templo, uma noite de gala,
Onde a carne, opulenta, em relevos de Vênus se assombra,
E a alma, em seios imensos, na carne, em mistério, se embala.
São colinas de cetim, em curvas de uma arquitetura divina,
Nalgas que guardam o ritmo de um astro em constante girar,
Toda tu és uma música escura, uma estrofe que o desejo ilumina,
Um poema de formas, um sonho que a terra não pode conter ou calar.
Mas a partida é o gelo, o cinza, o deserto, o fim da alvorada!
Tu partes, ó sombra soberana, em teus passos de seda e de pó,
Sem que o teu lábio, em ternura, me lance a luz desejada,
Sem o sorriso, esse rastro, que me deixaria, ao menos, sem ser só.
Fica o vácuo, o silêncio, o espectro do que nunca foi dito,
A dor desse adeus, que é um punhal de sombra no peito cravado,
E a beleza, tão preta e tão vasta, se torna um martírio infinito,
Pois foste, em silêncio, levando o meu mundo, em teu vulto sagrado.
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