Sob o pálio de sedas e de sombras,
Em volúpias de um êxtase profundo,
Três almas, entre névoas e alfombras,
Comungam o segredo deste mundo.
Duas formas, em nívea claridade,
Como estátuas de um sonho luminoso,
Vertem o âmbar de sua virgindade
Sobre o peito, em um rito silencioso.
Do seio, em flor, que o desejo ilumina,
Escarra o branco fluxo, em casta lida;
A mulher, num enlevo de heroína,
Bebe a essência, a seiva da vida.
E um sorriso, de um querubim róseo,
Floresce na face, em chama de aurora;
No gozo, o espírito, em êxtase ocioso,
Transcende a carne, aqui e agora.
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