quinta-feira, 4 de junho de 2026

Il tempo passa

 O vento, esse lamento, essa mão que suspira,

Passa na vidraça, um espectro, um tropel,

Onde a vida, em sua ânsia, em dores se vira,

Como um livro de névoa, de bruma e papel.


Era o ímpeto, a chama, o clarão da aurora,

A adolescência — um voo em risos de sol!

Mas o vento, o destino, já chora e devora,

Como o outono que invade o vão do farol.


O sopro que outrora era alento e alvorada,

Torna-se em ruga, em vidro, em opaco cristal;

A vida, essa sombra, em poeira calada,

Desliza, envelhecendo, em silêncio abissal.


Na janela, o tempo, em seu rito constante,

Transforma o viço em cinza, o sonho em desdém;

E o vento, que passa, veloz, delirante,

Leva a infância e a velhice, o nada e o além.

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