Na treva vã, sob a roda do caminhão,
Entre o metal, a graxa e a poeira impura,
Negros cabelos orlam a criatura,
Que ao meu serviço oferece a prontidão.
O pau que a boca acolhe, em erupção,
Na via pública — audaz desventura! —
Explode em branco, a gozar na fissura,
Manchando o chão, em plena comunhão.
"Bonito!", diz a voz, em meio ao riso,
Pois sob o aço, em segredo e escarnio,
Fiz da calçada o meu próprio paraíso.
Resta no asfalto o rastro do meu brânio,
Enquanto o motor ruge, em desaliso,
Testemunha voraz do nosso insano anfânio.
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