quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Secreto Deleite sob a Carreta


Na treva vã, sob a roda do caminhão,

Entre o metal, a graxa e a poeira impura,

Negros cabelos orlam a criatura,

Que ao meu serviço oferece a prontidão.


O pau que a boca acolhe, em erupção,

Na via pública — audaz desventura! —

Explode em branco, a gozar na fissura,

Manchando o chão, em plena comunhão.


"Bonito!", diz a voz, em meio ao riso,

Pois sob o aço, em segredo e escarnio,

Fiz da calçada o meu próprio paraíso.


Resta no asfalto o rastro do meu brânio,

Enquanto o motor ruge, em desaliso,

Testemunha voraz do nosso insano anfânio.

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