quinta-feira, 4 de junho de 2026

La vita come un'opera d'arte tragica e priva di significato

 Eis o teatro do nada, a trágica tela onde o ser se desbota,

Numa moldura de astros frios, num cenário de abismo e de pó;

A vida — esse espectro que a alma, em sua ânsia, desata e esgota,

É a obra do acaso, bordada em silêncio, num fado que vive só.


Não há no pincel do Destino uma meta, um traço, uma essência,

É pura sinfonia de sombras, num palco de vácuo e de dor;

Pintamos o nada com luzes de sonho, com vã consciência,

Buscando o sentido num quadro que sangra a cor do temor.


Ó tragédia sem nome! Que o olho do gênio contempla, assustado,

A existência é um risco, um delírio, um gesto de insânia solar;

O tempo, esse crítico mudo, devora o que foi consagrado,

E a arte do viver se dissolve, em cinzas, no imenso pesar.


Sem centro, sem cume, sem pátria, a alma, em seu voo erradio,

É estátua partida que o vento do eterno desfez no desdém;

A vida é o retrato do abismo, o perfume que foge bravio,

Uma obra-prima vazia, que passa do nada para o além.

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