Num delírio de formas, de aura e de bruma,
Sente-se o ritmo, o pulsar da matéria,
Vulto que em sedas, que em sombras se afuma,
Na carne intensa, na angústia etérea.
Eis que a anatomia, em voo, se expande,
Em curvas de asa, em batidas de ar,
Onde o desejo, em tormento, se abrande,
Nesse bater, nesse vulto a ondular.
Mariposa de carne, em voo suspenso,
As ancas, asas, em pleno tropel,
Num movimento infinito e imenso,
Mel de martírio, de dor e de mel.
O toque é música, o espasmo é visão,
Entre o bater de asas que o gozo incita,
Nesta fusão, nesta santa união,
A alma, em brasa, no corpo gravita.
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