Cansado da política e da gentalha,
Busco no couro o brilho que me guia,
Pois na bota que a pátria me desvia
O fetiche é o que a alma não atalha.
Ó sola gasta, ó rastro de batalha,
Que pisa a flor da vã democracia!
Em cativeiro e doce tirania,
Onde o joelho o orgulho finalmente falha.
Métrica estrita, rima que se impõe,
Como o laço que aperta o meu destino,
De um povo que no lodo se decompõe.
Sou do soneto o servo mais ferino,
Pois quem a dor do pé na cara expõe
Se faz, no verso, escravo e libertino.
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