quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Coturno e a Rima


Cansado da política e da gentalha,

Busco no couro o brilho que me guia,

Pois na bota que a pátria me desvia

O fetiche é o que a alma não atalha.


Ó sola gasta, ó rastro de batalha,

Que pisa a flor da vã democracia!

Em cativeiro e doce tirania,

Onde o joelho o orgulho finalmente falha.


Métrica estrita, rima que se impõe,

Como o laço que aperta o meu destino,

De um povo que no lodo se decompõe.


Sou do soneto o servo mais ferino,

Pois quem a dor do pé na cara expõe

Se faz, no verso, escravo e libertino.

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