quinta-feira, 4 de junho de 2026

Schopenhauer

Ó, gênio de sombras, que a Vontade decifra,

No abismo da essência onde o ser se desfaz,

Tua lente de cinza, em funérea cifra,

O mundo revela em seu fluxo voraz.


Tu viste no mundo, este ídolo insano,

A fome do cego, a tensão, o querer;

Despiste o véu de Maia, o brilho profano,

Que oculta a agonia de apenas viver.


Louvor à tua escrita, esse martelo austero,

Que esmaga a ilusão com a força do nada,

E encontra na Arte, o repouso sincero,

Na dor, a verdade, em luz sublimada.


Ó, Mestre da noite, em cujo pensamento,

A vida é um pêndulo, em suspiro contido,

Teu pessimismo é o mais alto monumento,

Ao espírito humano, enfim compreendido.

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