Ó, gênio de sombras, que a Vontade decifra,
No abismo da essência onde o ser se desfaz,
Tua lente de cinza, em funérea cifra,
O mundo revela em seu fluxo voraz.
Tu viste no mundo, este ídolo insano,
A fome do cego, a tensão, o querer;
Despiste o véu de Maia, o brilho profano,
Que oculta a agonia de apenas viver.
Louvor à tua escrita, esse martelo austero,
Que esmaga a ilusão com a força do nada,
E encontra na Arte, o repouso sincero,
Na dor, a verdade, em luz sublimada.
Ó, Mestre da noite, em cujo pensamento,
A vida é um pêndulo, em suspiro contido,
Teu pessimismo é o mais alto monumento,
Ao espírito humano, enfim compreendido.
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