Ó névoas de ouro, em pálidos desmaios,
Cai o outono em suspiros, na alma fria,
Em sombras de ouro e luzes, em desvios,
Numa vasta e soturna sinfonia.
As folhas — almas trêmulas, esquálidas,
Desprendem-se do tronco, em vão, no espaço,
São pétalas de sombras, vis, inválidas,
Que o vento colhe num eterno abraço.
Tudo é brancura, um espectro, um incensário,
Onde o musgo do tempo se estiola...
A árvore, num luto solitário,
Na nudez do abandono se consola.
E o ar se inunda de um perfume vago,
De um som de harpa, num adeus de pranto;
No rio, o outono é o reflexo, o mago,
Que envolve o mundo neste triste manto.
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