quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Outono da Alma


Ó névoas de ouro, em pálidos desmaios,

Cai o outono em suspiros, na alma fria,

Em sombras de ouro e luzes, em desvios,

Numa vasta e soturna sinfonia.


As folhas — almas trêmulas, esquálidas,

Desprendem-se do tronco, em vão, no espaço,

São pétalas de sombras, vis, inválidas,

Que o vento colhe num eterno abraço.


Tudo é brancura, um espectro, um incensário,

Onde o musgo do tempo se estiola...

A árvore, num luto solitário,

Na nudez do abandono se consola.


E o ar se inunda de um perfume vago,

De um som de harpa, num adeus de pranto;

No rio, o outono é o reflexo, o mago,

Que envolve o mundo neste triste manto.

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