A Vida é um pus que brota em um corpo inerte,
Uma laringe em febre a soluçar o nada!
O tempo é um verme, em ímpeto de morte,
Que roe a consciência, em convulsão gelada.
Ah! Que ansiedade atroz, de entranhas, de nervos!
Sinto a sístole, a diástole, o ranger dos ossos,
Enquanto o vácuo, em espectros maus e tervos,
Transforma em cinzas todos os meus solavancos!
Não é a alma, não! É a química do medo,
A sinapse que estala em surto de agonia,
A decomposição do pensamento em segredo.
E sob o céu, que é um crânio vasto e mudo,
A ansiedade, esse câncer da harmonia,
Transforma em nada a substância de tudo!
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