quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Espasmo do Ser


A Vida é um pus que brota em um corpo inerte,

Uma laringe em febre a soluçar o nada!

O tempo é um verme, em ímpeto de morte,

Que roe a consciência, em convulsão gelada.


Ah! Que ansiedade atroz, de entranhas, de nervos!

Sinto a sístole, a diástole, o ranger dos ossos,

Enquanto o vácuo, em espectros maus e tervos,

Transforma em cinzas todos os meus solavancos!


Não é a alma, não! É a química do medo,

A sinapse que estala em surto de agonia,

A decomposição do pensamento em segredo.


E sob o céu, que é um crânio vasto e mudo,

A ansiedade, esse câncer da harmonia,

Transforma em nada a substância de tudo!

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