sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A noite descia sobre as terras antigas - fragmentos

 A noite descia sobre as terras antigas não como um manto de trevas, mas como um silêncio habitado por antigas memórias e estrelas distantes. Ali, onde o mundo mortal roça as fronteiras do indizível, a elfa escura movia-se com a leveza de um pensamento puro, livre das sombras que o seu nome injustamente sugeria. Ela dançava entre os ramos do céu, onde as copas das grandes árvores se confundiam com o veludo cósmico, costurando o tempo com passos que pareciam vir de uma música ouvida apenas antes do início de todas as coisas. Seus cabelos bailavam na água do rio Marivel, derramando fios de prata e noite sobre a correnteza cristalina que guardava os segredos do vale. Não havia nela a gravidade do pecado ou o peso da maldição que os homens temem nas brumas; havia apenas a alegria feroz e solene de quem foi feito para a liberdade. Naquela dança, o céu e a terra deixavam de ser distantes, unidos pela graça irrevogável de uma beleza que recusava o esquecimento, como uma promessa sussurrada pelo Criador nas águas profundas daquele rio sagrado.

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