domingo, 21 de junho de 2026

O Segundo Astro Cadavérico

para Augusto, dos Anjos?


Na cova escura onde a matéria habita,

E o átomo se decompõe, sem cor, sem luz,

Surge um espectro solar que a dor seduz,

E a podridão da Terra ressuscita!


É um astro de lodo, uma estranha fita

De íons de morte que a órbita conduz.

Não é o sol que o pranto nos reduz,

Mas um segundo sol que o nada habita.


Ei-lo que nasce, num eclipse atroz,

Raios de um cinza-fúnebre, veloz,

A incinerar as células do dia!


Tudo se esquece, o éter se desfaz,

Nesta luz podre que traz a paz,

Da decomposição, plena agonia!

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