Augusto! O visionário da matéria,
Que na podridão viu a luz da essência;
Cantou da vida a atroz e fria ausência,
Em versos de uma dor, de uma miséria.
Na lente do átomo, a alma incerta, séria,
Fez da decomposição sua eloquência;
Transformou o verme em viva transcendência,
Na escala atroz da cósmica artéria.
Mórbido arcano, alquimia do nada,
Onde o cadáver — semente do futuro! —
Se funde à terra, em chama gelada.
Ó, trovador do abismo, do obscuro,
Que na carcaça, em lúgubre jornada,
Encontrou o brilho do infinito puro!
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