Vai-se minh'alma toda nos teus beijos,
Como uma névoa que ao sol se desfaz;
Ri-se o meu coração, nessa audaz paz,
Na tua boca — abismo de desejos.
Tudo é luz, tudo é brilho, em longos pejos,
Onde a carne se torna o que não jaz;
A alma que vibra, o espírito que apraz,
Nesse êxtase de astros e lampejos.
É um rir de espuma, um murmurar de lira,
Onde o sangue se transmuta em claridade,
E a vida, em chama, num suspiro gira.
Ó boca santa, ó cálice da eternidade,
Onde o meu ser, em dores, se retira,
Para o repouso enfim da imensidade.
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