terça-feira, 16 de junho de 2026

O Espasmo da Fusão


Vai-se minh'alma toda nos teus beijos,

Como uma névoa que ao sol se desfaz;

Ri-se o meu coração, nessa audaz paz,

Na tua boca — abismo de desejos.


Tudo é luz, tudo é brilho, em longos pejos,

Onde a carne se torna o que não jaz;

A alma que vibra, o espírito que apraz,

Nesse êxtase de astros e lampejos.


É um rir de espuma, um murmurar de lira,

Onde o sangue se transmuta em claridade,

E a vida, em chama, num suspiro gira.


Ó boca santa, ó cálice da eternidade,

Onde o meu ser, em dores, se retira,

Para o repouso enfim da imensidade.

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