Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta, vou,
Onde a luz do luar, que o pranto encontrou,
Em vago espectro, a alma desfibria.
É um deserto de brumas, de agonia,
Onde o silêncio, em mármore, brotou;
Onde a esperança, em cinzas, se apagou,
Na espectral e inerte melancolia.
Sou sombra errante em campos de veludo,
Onde a vida se esfuma, fria e vã,
Num esquecimento do que foi, de tudo.
A natureza, em luto de amanhã,
Cobre o meu ser, em silêncio mudo,
Nesta mortuária e pálida manhã.
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