Rimbaud! O meteoro, o estranho brilho,
Que no azul do infinito se treslouca;
Na chama audaz de uma febril boca,
Rasgou da lógica o estreito trilho.
Deixou o berço, o pranto, o antigo trilho,
Para encontrar, na visão que o convoca,
A essência bruta que o delírio toca,
No navio ébrio que não busca o brilho.
Poeta vidente, em descaminhos vagos,
Que fez da vida um barco em mar de espasmos,
Perdido em ritmos, em febris afagos.
Sua poesia, em lúgubres entusiasmos,
É o sol que queima em mil distintos lagos,
No fundo eterno dos abismos-chasmos.
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