terça-feira, 16 de junho de 2026

O Vidente de Fogo e Vento


Rimbaud! O meteoro, o estranho brilho,

Que no azul do infinito se treslouca;

Na chama audaz de uma febril boca,

Rasgou da lógica o estreito trilho.


Deixou o berço, o pranto, o antigo trilho,

Para encontrar, na visão que o convoca,

A essência bruta que o delírio toca,

No navio ébrio que não busca o brilho.


Poeta vidente, em descaminhos vagos,

Que fez da vida um barco em mar de espasmos,

Perdido em ritmos, em febris afagos.


Sua poesia, em lúgubres entusiasmos,

É o sol que queima em mil distintos lagos,

No fundo eterno dos abismos-chasmos.

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