terça-feira, 16 de junho de 2026

O Templo Interior


Meu coração tem catedrais imensas,

Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas,

Cintilações de lâmpadas suspensas,

E as ametistas e os florões e as pratas.


São naves longas, sacras, sempre tensas,

Onde o espírito em preces, nas sonatas,

Busca as essências, lácteas e suspensas,

Nesta luz vaga, em pálidas estratas,

De almas que sobem em fumaças densas.


É o templo interno, o vago relicário,

Onde a visão, em ritos de esplendor,

Se torna o próprio ser, visionário.


Catedral viva, em êxtase e rigor,

Onde se acende o fogo solitário

Do sacro e eterno, inabalável amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário