Meu coração tem catedrais imensas,
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas,
Cintilações de lâmpadas suspensas,
E as ametistas e os florões e as pratas.
São naves longas, sacras, sempre tensas,
Onde o espírito em preces, nas sonatas,
Busca as essências, lácteas e suspensas,
Nesta luz vaga, em pálidas estratas,
De almas que sobem em fumaças densas.
É o templo interno, o vago relicário,
Onde a visão, em ritos de esplendor,
Se torna o próprio ser, visionário.
Catedral viva, em êxtase e rigor,
Onde se acende o fogo solitário
Do sacro e eterno, inabalável amor.
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