terça-feira, 16 de junho de 2026

O Sacrilégio da Paixão


Em destroços de luz, o amor se estilhaça,

Vândalo cego em templos de ideal,

Rasgando o veludo do sonho imaterial

Na brutal convulsão de uma desgraça.


É um rastro de sangue, de cinza e de caça,

Que infesta a alma em seu vago ritual,

Desfolhando o lírio, o puro, o virginal,

Na embriaguez desta estranha desgraça.


Ruína sobre ruína, o beijo é o martelo

Que esmaga a estátua do ser, do desejo,

Neste caos de um pálido desvelo.


Amor que vicia, que rasga o lampejo,

Deixando o espírito, outrora belo,

Em cacos de sombra sob o negro cortejo.

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