Em destroços de luz, o amor se estilhaça,
Vândalo cego em templos de ideal,
Rasgando o veludo do sonho imaterial
Na brutal convulsão de uma desgraça.
É um rastro de sangue, de cinza e de caça,
Que infesta a alma em seu vago ritual,
Desfolhando o lírio, o puro, o virginal,
Na embriaguez desta estranha desgraça.
Ruína sobre ruína, o beijo é o martelo
Que esmaga a estátua do ser, do desejo,
Neste caos de um pálido desvelo.
Amor que vicia, que rasga o lampejo,
Deixando o espírito, outrora belo,
Em cacos de sombra sob o negro cortejo.
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