Enterro de tua última quimera,
Em negras lousas de veludo e luz!
Onde o espírito a própria cruz conduz,
Na fria marcha dessa primavera.
Já não há sol, não há mais a esfera
Que o sonho em seus espelhos traduz;
Apenas o silêncio que seduz
A alma que, em cinzas, enfim desespera.
Caem os véus, desfolham-se os delírios,
Nesse cortejo fúnebre, espectral,
Sobre o caixão dos pálidos martírios.
É o nada, o vago, o vácuo sideral,
Onde se enterram rosas, lutos, lírios,
No silêncio absoluto e imortal.
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