—A rainha do gozo
A coroa de fuligem,
sobre o cume do espasmo,
canta.
Um espelho, sem nome,
bebe a tua sombra de espinho,
ó soberana do grito sem voz.
Onde o dia se corta,
onde o nada se faz leito
o gozo, essa sílaba de cinza
que o vento não pronuncia.
Tu reinas sobre o deserto
dos sentidos sem reino,
embaixo de um sol de chumbo
que desce, palavra a palavra,
até o alicerce do branco.
Escuta:
o silêncio é a tua última orgia.
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