Nas profundezas da alma, o negror vago,
Onde a sombra se estende, astral e fria,
Onde o silêncio, em gélida agonia,
Bebe da noite o desespero amargo.
É o preto, o luto, o etéreo, o infindo largo,
Onde a luz morre, em íngreme agonia,
Sob o manto da estranha melancolia,
Que na negrura encontra o seu encargo.
Tudo é treva, é negror, é sombra escura,
Na arquitetura do pesadelo incerto,
Onde o espírito chora a desventura.
Preto, o abismo, o vazio, o deserto,
Onde a carne se esfuma na amargura,
E o nada reina, eterno e sempre aberto.
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