terça-feira, 16 de junho de 2026

A Cítara das Sombras


Na cítara de bruma e fio de prata,

Vibra o desejo em cordas de agonia,

Numa melopeia vaga, fria, e fria,

Que a alma do amante em volúpias desata.


É um dedilhado de lua que desata

O nó da carne, em febril sinfonia,

Onde a música é luto, é luz, é agonia,

E o som é o espectro que a paixão devasta.


Ó cítara suave! Em que abismo do ser,

Teus acordes desmaiam, pálidos, lentos,

Num delírio de sonho a se desvanecer?


São sons de astros, são suspiros, lamentos,

Que na harpa do amor fazem estremecer

Os nervos mudos dos puros sentimentos.

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