Na cítara de bruma e fio de prata,
Vibra o desejo em cordas de agonia,
Numa melopeia vaga, fria, e fria,
Que a alma do amante em volúpias desata.
É um dedilhado de lua que desata
O nó da carne, em febril sinfonia,
Onde a música é luto, é luz, é agonia,
E o som é o espectro que a paixão devasta.
Ó cítara suave! Em que abismo do ser,
Teus acordes desmaiam, pálidos, lentos,
Num delírio de sonho a se desvanecer?
São sons de astros, são suspiros, lamentos,
Que na harpa do amor fazem estremecer
Os nervos mudos dos puros sentimentos.
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